BLUESMAN DE BACO EXU DO BLUES: "TALVEZ SEJA SÓ UM ÁLBUM, MAS É MELHOR QUE NÃO SEJA!"


Por Henrique Bastos - Estudante de Engenharia da Computação (UEFS) e gosta de discutir artes quase sempre.



Você já conhecia Baco Exu do Blues? Ele é um rapper baiano que tá em evidência desde 2016 mais ou menos, ficou famoso com Diomedes Chinaski com a diss track (nome dado no rap pras músicas que desrespeitam outra pessoa em específico) Sulicídio, onde os dois gritavam para os rappers de Rio e São Paulo que eles não são os únicos a fazerem rap no Brasil. Depois disso Baco continuou fazendo sucesso em participações e EPs  até que chegou Esú, o primeiro álbum  de Baco, onde ele incorpora uma entidade e claramente conversa com o ouvinte a todo momento, entregando ao ouvinte um “caos tão bonito” (palavras dele). E essa foi uma maneira de se apresentar muito bem.
Esú foi consagrado pelo público e pela mídia, ganhou prêmios e muito reconhecimento. Qual seria o próximo passo? Baco lançou Singles, e até o que seria um mini-álbum com três singles juntos, até anunciar Bluesman. O que seria tratado nesse novo álbum? O Blues como movimento libertador dos escravos nos EUA ou o título talvez estivesse só falando sobre os beats, muitas guitarras chorando então?
E então recebemos uma nova notícia, "haverá um filme sobre o álbum", aumenta a expectativa não é? Mas então foi lançado Bluesman, e "como tudo na internet exige que você tenha opiniões formadas o mais rápido possível, se não você fica por fora da conversa". As resenhas e críticas de álbum lançado na sexta não esperaram até a segunda (até porque não podiam) e logo você era dos “Álbum do ano” o dos “Não é isso tudo”.
Bluesman, um álbum onde Baco volta a conversar, mas dessa vez não com você ouvinte, mas com ele mesmo em todo momento do disco, até nas “love songs” que inclusive foi o que ficou mais popular no primeiro álbum (Já ouviu “Te amo desgraça?"). Nesse álbum o relacionamento não é importante, mas sim o sentimento de Baco, em “Me desculpa Jay-z” não é uma música  sobre gostar de uma pessoa, mas como ás vezes pedimos por carinho, pedimos por um relacionamento, mas ao mesmo tempo não queremos nos prender a ninguém. E se esse alguém não for outra pessoa a não ser você mesmo? Pra mim  é sobre isso a música, sobre como conseguimos nos amar e nos odiar em intervalos de tempo muito pequenos.
Seguindo nessa linha de conversar com  você mesmo, temos o que talvez seja o ápice negativo dessa conversa. Em “Girassóis de Van Gogh”, Baco desiste de viver, não aguenta mais a própria presença, como ele tem medo de estragar tudo, Baco desconfia que o próprio Baco ponha tudo a perder. Olhar pessoas interpretando essa música como uma love song é como o pessoal que queria morar na distopia do “Jogos Vorazes”
E aí depois de presenciarmos essa conversa entre Baco e ele mesmo, o "eu" aproveita para deixar bem claro que o nosso maior erro em expectativas é criá-las. Não existe rótulo possível para se adequar a baco, você ouvinte não deve se prender a rótulos. Eles só limitam você.

Então resolvi  falar só sobre o álbum, não que o filme não seja importante, ao contrário o único outro rapper que vi fazer algo parecido e com bem menos maestri foi o Nas, dono do possível melhor álbum de rap que você não conhece. Decidi falar só sobre o álbum porque não queria contrariar a a galera do time do “Não é isso tudo”, e é verdade talvez seja só um álbum.

BLUESMAN DE BACO EXU DO BLUES: "TALVEZ SEJA SÓ UM ÁLBUM, MAS É MELHOR QUE NÃO SEJA!" BLUESMAN DE BACO  EXU DO BLUES: "TALVEZ SEJA SÓ UM ÁLBUM, MAS É MELHOR QUE NÃO SEJA!" Reviewed by Rede Idea Chek on dezembro 14, 2018 Rating: 5