O PERIGO DE SER LGBT+ NO PAÍS DOS BOLSONAROS



Por Iago Gomes
Graduação em Letras pela UEFS
Ativista LGBT, Antirracista e Anticapitalista
Redator do Blog Idea Chek e Produtor e Divulgador de Conteúdo.



Há algum tempo o Brasil ocupa a posição de país mais violento para pessoas LGBTs com assassinatos de mais de um/a por dia com motivações LGBTfóbicas, seja na forma de execução ou nos contextos que levaram corpos e vidas a serem marginalizados e eliminados. A situação para pessoas que destoem da realidade cis-heteronormativa não é nada fácil, somos alvos de chacotas em todos os espaços, exclusão familiar, escolar e social e todos os dias somos levados a acreditar que somos “abominações” por conta da perseguição diária de muitas Igrejas. Ainda em meados de 2017 e 2018, para Lésbicas, Transsexuais, Travestis, Gays, Bissexuais e outras amplitudes de gênero e sexualidade temíamos e nos amedrontamos com o poder que discursos como o do presidente Jair Messias Bolsonaro proferia: “uma criança quando começa a ficar assim a gente dá um coro”. Se já não era fácil, tudo poderia ficar ainda pior.
Em janeiro, com a posse de Bolsonaro, ficou desenhando quem seriam os primeiros alvos, com medidas que foram desde a retirada da cartilha de saúde para pessoas T e da exclusão de nós, LGBTs, das diretrizes dos direitos humanos, até o uso contínuo da ministra Damares para escancarar o tão preconceituoso e violento seria o governo. O ano que começou com altas taxas de feminicídio também trouxe casos absurdos de violência transfóbica como a execução fria, à base de intolerância religiosa, de Kelly, onde o assassino arrancou seu coração, colocou uma santa sob seu corpo e a chamou de “demônio”. Uma outra mulher trans teve seu braço amputado e outra teve vários dentes arrancados. Esses casos demonstram como o perigo é ainda maior para mulheres transsexuais e travestis. Muitos defensores insistem em dizer que o país é violento para todos, mas para nós é duplamente, pela segurança pública no país e por sermos quem somos.
Nessa semana, Jean Wyllys, eleito Deputado Federal pelo Rio de Janeiro anunciou publicamente que estava desistindo de tomar posse no cargo, devido às sucessivas ameaças que vinha recebendo. Vários e-mails enviados continham dados pessoas de Jean e de pessoas de sua família, como endereço, placa do carro, trajetos, além de ameaças como “vou arrancar a cabeça de sua mãe”. Mesmo após denúncias sucessivas, a justiça não conseguiu identificar quem enviavam os e-mails. O deputado, o primeiro assumidamente gay da história do país, temendo por sua segurança e ainda afetado mentalmente pelos ataques constantes e FakeNews criadas em redes, tomou a atitude descrita. A situação escancara como é difícil para LGBT’s ocuparem espaços de poder. Além da discriminação diária, a perseguição, os espaços conservadores ainda nos tratam como corpos estranhos e que devem ser expulsos ou extintos. Mesmo com várias sendo eleitas país à fora, ainda somos minoritários e temos que fazer esforços além de limites.

Muitas críticas a Jean Wyllis são carregadas de camuflagens para esconder o ódio ao fato dele abertamente reivindicar o lugar de gay e defensor das minorias. Afinal, por mais críticas que tenhamos, jamais é correto comemorar a saída de alguém do país por ameaças a sua vida. É preciso ter coragem de encarar que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais são o alvo predileto do governo que começou, das ruas onde transitamos e dos locais que batalhamos para estar. Jean nos deixa, mas sua vaga será ocupada por outro parlamentar LGBT, o David Miranda certamente encarará todos os desafios de seu antecessor, e nós precisamos unificar a nossa luta para não deixá-lo sozinho, para não ficarmos sozinhos, para aquelas que não alcançamos e correm perigo só em sair nas ruas não fiquem sozinhas.

O PERIGO DE SER LGBT+ NO PAÍS DOS BOLSONAROS O PERIGO DE SER LGBT+ NO PAÍS DOS BOLSONAROS Reviewed by Rede Idea Chek on janeiro 26, 2019 Rating: 5