BICICLETA: SUA PRÁTICA URBANA NA ESFERA MICRO DE FEIRA DE SANTANA E SUAS PROBLEMÁTICAS SOCIAIS

Por Lucas Figueiredo
Graduando em História (UEFS)
Meio pertubado e um pouco revoltado com o sistema...
às vezes escreve alguma besteira pra passar o tempo,
metade é gasto com preguiça.


Imagem ilustrativa retirada do site Vou de Bike

A bicicleta desde muito tempo se tornou um meio de transporte, e de forma prática e sustentável ela é utilizada no dia a dia, principalmente pela classe trabalhadora em geral. Trazendo para esfera micro é uma cena muito comum de ser vista, trabalhadores transitando em bicicleta pelas principais avenidas de Feira de Santana, durante o início da manhã e o fim da tarde, onde se deslocam de casa para o trabalho e do trabalho para casa, mas afinal quem compõe essa modalidade? São meramente ciclistas ou trabalhadores montados em bicicletas? E tal prática é feita por ser sustentável ou por ser viável e talvez barata?
Um tema talvez bastante denso e problemático, porem será debatido com um espaço aberto às próximas discussões. Afinal de contas, a modalidade meio de transporte também compõe o ato ciclístico e por sinal boa parte dos trabalhadores não é inserido nessa denominação e nem é tratado como ciclista de fato, e sim como pessoas montadas em bicicletas. A partir disso entra uma problemática maior: a disparidade econômica e social existente dentro do ciclismo, o que de fato leva a existir essas denominações erradas, que em muitos casos só é considerada para aquele praticante todo paramentado que usa a bicicleta apenas para a prática esportiva e que de certo modo possui uma condição financeira para isso. Afinal, o ciclista só é considerado ciclista quando possui condições financeiras para se adequar ao padrão imposto pela sociedade, caso contrario ele é apenas uma pessoa de bicicleta, mais uma vez é perceptível o poder de denominação de padrões impostos pelo capitalismo.
Voltando a perspectiva questionada anteriormente a respeito dos ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, boa parte deles ou pelo menos 80% compõem a classe trabalhadora feirense e talvez por tal condição utiliza a bicicleta como via de fuga, muitas vezes por não possuir condições financeiras para adquirir um veículo utilizam a bicicleta. Trago aqui a necessidade de se atentar para isso, pois o ciclismo em casos cresce a partir da condição social da classe que pratica, claro ele cresce para todos os lados, porém a classe média acaba dando um caráter maior no crescimento do ciclismo por ser utilizado como esporte, o que movimenta de forma mais intensa o mercado, entretanto o trabalhador que compõe quadro de crescimento do ciclismo é visto de outra forma, e esquecido quando se fala de sustentabilidade urbana.
Desse modo, dentro dessa esfera é perceptível que a bicicleta usada pelo trabalhador urbano, compõem muito mais uma classe social do que uma via alternativa, claro eu estaria cometendo um erro grave se generalizasse e falasse que todos os ciclistas que se deslocam para o trabalho utilizando a bicicleta não usa mesma por ser sustentável.
Portanto o que problematiza esse debate é a complexidade do ciclismo e da esfera que o compõe, ainda assim o que busco trazer aqui é uma visão crítica e problemática a respeito do ciclismo e da forma que ele é praticado e julgado. Ainda assim o ciclismo praticado pelo trabalhador feirense, aqui abordado, é de fato uma alternativa necessária e traçada pelo viés econômico, e boa parte deles praticam sem saber do ato político e sustentável que estão fazendo todos os dias.

BICICLETA: SUA PRÁTICA URBANA NA ESFERA MICRO DE FEIRA DE SANTANA E SUAS PROBLEMÁTICAS SOCIAIS BICICLETA: SUA PRÁTICA URBANA NA ESFERA MICRO DE FEIRA DE SANTANA E SUAS PROBLEMÁTICAS SOCIAIS Reviewed by Rede Idea Chek on fevereiro 19, 2019 Rating: 5